Mar ~ Marionetas | Festival Internacional de Marionetas de Espinho
Mar~Marionetas - Festival Internacional de Marionetas de Espinho 2026
O Sr. Aníbal [ ESPETÁCULO ]
- Teatro de Marionetas do Porto < Porto
- M/3 . 50mins . acesso gratuito
| 29 MAI 21h30 . SEXTA | FACE / Museu Municipal de Espinho |
O Sr. Aníbal
O senhor Aníbal é um senhor idoso que vive sozinho numa casa-toca. A sua companhia são os objetos que habitam uma casa e as memórias que cada um deles carrega. No meio de tanta solidão, tanto silêncio, será que o senhor Aníbal se sente sozinho? Ou as memórias baralhadas de 80 anos de vida se tornam em momentos vertiginosamente divertidos? Será que os objetos de uma casa podem ganhar vida apenas para fazer companhia a este velhinho?
As Marionetas do Porto propõem um espetáculo que reflete sobre a velhice e associada a ela alguma solidão. Ao acompanhar este personagem fazemos uma viagem sobre as rotinas do seu dia-a-dia e os seus contratempos. No espetáculo, a companhia faz uma abordagem aos objetos do quotidiano que carregam a sua própria memória, a sua função e a sua metáfora, ao mesmo tempo que reflete sobre a velhice nos tempos atuais.
Teatro de Marionetas do Porto
O Teatro de Marionetas do Porto constitui-se em setembro de 1988, uma data simbólica que coincide com a apresentação da companhia na seleção oficial do Festival Mondial des Théâtres de Marionnettes, em Charleville-Mézières.
O reportório da companhia começa por integrar o “Teatro Dom Roberto”, fantoches da tradição portuguesa, que João Paulo Seara Cardoso (1956-2010) herdara das mãos de Mestre António Dias, último representante da geração de bonecreiros itinerantes, em 1980.
Os primeiros espetáculos criados pela companhia são fruto de uma pesquisa do património popular, sobretudo ao nível dos contos e das práticas e rituais teatrais do norte do país.
Por esta altura, na sequência de um convite da RTP, a companhia constitui uma equipa de criação alargada (Sérgio Godinho, Jorge Constante Pereira e Alberto Péssimo) que, durante cerca de dois anos, desenvolve vários projetos televisivos para crianças que viriam, de certa forma, a marcar uma geração e dos quais se destacam “A Árvore dos Patafúrdios” e “Os Amigos do Gaspar”.
O TMP alcança um certo reconhecimento público com a estreia de “Miséria”, em 1991, espetáculo muito bem acolhido pelos espetadores e pela crítica, e que representa também o primeiro apoio financeiro do estado à atividade da companhia. Dois anos depois estreia “Vai no Batalha”, uma revista à portuguesa com marionetas, crítica mordaz ao cavaquismo e à mentalidade portuguesa vigente no início dos anos 90, que fica em cena cerca de um ano com lotações esgotadas.
Testadas algumas fórmulas de teatro popular, inicia-se um novo ciclo radicalmente diferente na história da companhia. Várias experiências em busca de uma certa contemporaneidade do teatro de marionetas têm início com “3ª Estação” (coprodução com o Balleteatro Companhia) que ensaia o cruzamento das marionetas com a dança. Mais tarde, “Exit” (1998), a primeira peça do denominado ciclo urbano, no qual se procura uma reflexão sobre a condição humana pós-moderna, e no qual o teatro de marionetas é contaminado por outras linguagens artísticas como a música, o vídeo, a dança e as artes plásticas assumindo uma dimensão mais performativa, marca definitivamente o assumir de um caminho de risco. Registe-se ainda, nesta fase, a importante participação do TMP no evento “peregrinação” da Expo 98, com “Máquina-Homem/Clone- Fighters”.
Os espetáculos dirigidos a um público infantojuvenil passam a integrar a produção anual da companhia, sempre com base em textos originais posteriormente editados em livro.
É, pois, na segunda metade dos anos noventa que se regista uma forte consolidação do projeto artístico da companhia. A corrente de público portuense alarga-se consideravelmente, obrigando a companhia a abandonar o pequeno teatro de Belomonte e a procurar outros espaços de maior dimensão na cidade. O TMP adquire definitivamente uma projeção internacional que o leva a apresentar-se regularmente na Europa e em diversos países do mundo (Espanha, França, Irlanda, Bélgica, Holanda, Áustria, Suíça, Itália, Israel, Brasil, Polónia, Cabo Verde, Inglaterra, Marrocos, China, República Checa, Canadá e Alemanha). E cria uma rede de parceiros de programação em Portugal que faz com que, atualmente, cerca de 30% da atividade se desenvolva em itinerância.
É neste contexto e com uma linha programática consolidada, que o TMP desenvolve a sua atividade a partir do início do novo século. Alguns espetáculos marcam esta fase: “Nada ou o Silêncio de Beckett”, a produção apresentada mais vezes no estrangeiro, “Macbeth”, uma importante experiência de teatro de texto, “Paisagem Azul com Automóveis”, coprodução Porto 2001 e TNSJ e “Cabaret Molotov”, uma incursão no universo do circo e do cabaret.
Em 2008, o TMP comemorou 20 anos de atividade e, a par da estreia de uma nova produção com carácter de certa forma celebratório – “Boca de Cena: Teatro-Jantar”, propôs ao público de todas as idades uma revisitação do seu passado, apresentando 17 produções marcantes do percurso da companhia. Entre o Porto, diversas cidades portuguesas e algumas deslocações ao estrangeiro, a companhia atingiu um máximo histórico: 216 representações para 23.017 espetadores.
A abertura oficial do museu (em 2013) assinalou os 25 anos da companhia. Instalado durante os primeiros 3 anos no edifício nr. 22 da Rua das Flores, passou a 29 de setembro de 2016 para o edifício contíguo à sede da companhia, na Rua de Belomonte. Marionetas, adereços e outros objetos emblemáticos utilizados nos espetáculos da companhia, assim como algumas das suas histórias, são aqui expostos e partilhados.
ficha artística
ENCENAÇÃO E DRAMATURGIA Micaela SoaresTEXTO Micaela Soares, Vítor Gomes
CENOGRAFIA Filipe Azevedo, João Pedro Trindade
MARIONETAS João Rodrigues
DESENHO DE SOM Luís Aly
DESENHO DE LUZ Filipe Azevedo
FIGURINOS Letícia dos Santos
INTERPRETAÇÃO Micaela Soares, Vítor Gomes
PRODUÇÃO Sofia Carvalho
OFICINA DE CONSTRUÇÃO João Pedro Trindade (coordenação), Catarina Falcão, Filipe Azevedo, João Rodrigues
OPERAÇÃO DE LUZ E SOM Filipe Azevedo
FOTOGRAFIA DE CENA Susana Neves
COPRODUÇÃO Marionetas do Porto, Festival Internacional de Marionetas do Porto
APOIO República Portuguesa, Cultura DGArtes






